
O tucano defendeu a entrada de ''outra geração'' na política cearense e reforçou a candidatura de Marcos Cals. Em momento de autocrítica e, ao mesmo tempo, de ataque ao ex-aliado e hoje adversário, o senador Tasso Jereissati (PSDB) defendeu ontem, durante entrevista coletiva em Fortaleza, o fim do controle político do Ceará pelas famílias Jereissati e Ferreira Gomes, que governam o Estado, quase ininterruptamente há 24 anos. “É um ciclo cansado. Ferreira Gomes e Jereissati, tá na hora de renovar”, avaliou Tasso, em referência a si próprio e aos irmãos Ciro e Cid Gomes (PSB), ex e atual governador, respectivamente. Ao mesmo tempo em que propôs que “outra geração” passe a orientar os rumos do Estado, o tucano reforçou a candidatura, ao Palácio Iracema, do tucano Marcos Cals, filho de César Cals – um dos três coronéis que comandaram a política cearense no ciclo anterior ao de Tasso, e que foi derrotado pelo chamado “projeto mudancista” encabeçado pelo próprio senador, em 1986. Com discurso forte contra a atual administração estadual – do qual ele foi parceiro político durante mais de três anos –, Tasso centrou fogo, principalmente, no estilo político de Cid. O senador prometeu “acabar com a hegemonia de um grupo só no Ceará” e recriminou, ainda, suposta estratégia cidista de “juntar todos os partidos de um lado só, (criando) uma visão absolutista de que a política tem de girar ao redor dele”.Autocrític Questionado sobre por que, diante da insatisfação, não decidiu se retirar antes da aliança com o PSB, Tasso voltou a fazer uma autocrítica. “O PSDB resolveu, corretamente, dar um voto de confiança ao Governo, naquele momento (2007). Mas a falta de oposição não foi boa para o Ceará e eu arco com parte dessa culpa”, avaliou. A mudança de postura do parlamentar ficou explícita e rendeu até insinuações sobre nepotismo contra Cid. Em referência indireta à indicação do deputado estadual Ivo Gomes (PSB), irmão de Cid, à chefia de Gabinete do governador, Tasso disparou: “Nunca coloquei irmão meu para ser secretário”. Silencioso desde a última terça-feira, quando foi anunciada a escolha de seu nome para a disputa pelo Executivo estadual, Marcos Cals resolveu acompanhar as críticas de Tasso e fez questão de desmentir a hipótese, cogitada até mesmo por tucanos, de que sua candidatura não seria “para valer”. Ele respondeu às declarações de membros da cúpula do Palácio Iracema, que chegaram a avaliar positivamente – conforme mostrou O POVO na última quarta-feira – a escolha pelo nome de Cals, que é ex-secretário de Justiça e Cidadania de Cid. “Ali ficou implícito que estavam me subestimando. Eu não sou menino! (Estavam querendo dizer): ‘aquilo é um besta, não bate nem em passarinho’”, interpretou. Dando mostras de qual será o tom de seu discurso na campanha, Cals disse que pretende “sair da ostentação à simplicidade” e que quer “ter o diálogo à frente do absolutismo”. Indagado se será melhor governador que Cid, o tucano preferiu não arriscar: “Só se sabe depois de eleito”.