O crime não pode comandar as eleições

É lamentável que em pleno século XXI, século marcado pelas mudanças, transformações e avanços econômicos, políticos, sociais e tecnológicos, as pessoas ainda se utilizem de métodos criminosos, de meios ilícitos e indignos para transformar fatos políticos em fatos policiais. Como se não bastasse o comércio vergonhoso do voto, um crime contra a consciência popular, apela-se para derrames de material de propaganda mentirosa com o fim de denegrir candidatos e tentar reverter tendências eleitorais. Num jogo sujo, sob as barbas da Justiça Eleitoral que luta pela preservação do respeito à vontade de escolha do eleitor, vemos como se repetem no País o conluio delituoso de políticos viciados, fichas-sujas que recorrem à máquina pública e a todas os tipos de artifícios para ludibriar a lei e forçar resultados eleitorais que os mantenham ou os conduzam ao poder. Acompanhamos a preocupação dos membros do Ministério Público com a lisura do processo eleitoral como meio de resguardar a democracia e de aperfeiçoar as instituições, em benefício da sociedade. Mas vemos, a toda hora, a tentativa do suborno, do desvio de conduta, da fabricação de pacotes sórdidos de mentira envolvendo autoridades públicas, partidários do poder, partidos e candidatos, com um único fim: enlamear o processo eleitoral para levar vantagens. Ora são o prefeito, o vice-prefeito e o presidente da Câmara de Vereadores da cidade de Dourados (MS), formando uma quadrilha de propinas públicas. Ora são autoridades mais acima que surgem envolvidas nos escândalos de corrupção e tráfico de influência nos governos. Aqui mesmo no Ceará, a campanha eleitoral surge, de repente, marcada pela descoberta de uma gráfica com enorme produção de propaganda destinada a denegrir a imagem de um candidato de oposição que se mantém na preferência do eleitor segundo as pesquisas de opinião. Felizmente, a polícia abortou esse projeto criminoso, com a apreensão do material impresso e está investigando a responsabilidade partidária. São esses fatos que enodoam a política e que precisam ser apurados criteriosamente para desmascarar os falsários, deter os criminosos e punir os responsáveis. O crime não pode comandar um processo eleitoral. Por: Wanderley Pereira é jornalista da TV Jangadeiro